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Caipiras contemporâneos

Movimento que une música rural e pop é aprovado por violeiros tradicionais

Helena Aragão

Divulgação

O grupo Jerry e Croa apresenta o gênero polca-rock hoje na série 'Viola Turbinada' do CCBB

Em meados dos anos 90, na mesma época em que Chico Science reuniu guitarras a ritmos como o maracatu e o frevo para criar o Mangue Beat, um outro movimento musical começava a surgir discretamente no país. A princípio longe dos holofotes, grupos começaram a unir elementos da música pop às raízes da música caipira no interior de estados como São Paulo, Paraná, e Mato Grosso. Longe dessa realidade, o Rio de Janeiro pouco ouviu sobre a nova tendência. O atraso vai ser remediado a partir de hoje com a série Viola Turbinada, que reunirá alguns representantes do movimento no Centro Cultural Banco do Brasil em todas as terças-feiras de novembro. Na programação, os grupos Jerry Espíndola & Croa (hoje), Matuto Moderno (dia 11), Tuia e o Dotô Jeka (18) e Fulanos de Tal (25) recebem violeiros e grupos tradicionais de várias regiões.

Os quatro conjuntos foram escolhidos para o evento pelo cineasta paulista Reinaldo Volpato dentro de um universo que já conta com mais de 40 representantes em todo o Brasil.

- Quis mostrar como em cada região do país há gente misturando as influências das músicas feitas nas áreas rurais a elementos urbanos. Enquanto o paulistano Matuto Moderno e o matogrossense Jerry pesquisam a fundo, por exemplo, as raízes musicais para incluir nelas alguns elementos pop, o Dotô Jeka, do Vale do Paraíba, faz música pop com referências de raiz.

Apesar de o evento levar a viola no nome, nem todos os grupos utilizam o instrumento. Como o Fulanos de Tal, formado por jovens de Rio Claro, no interior de São Paulo, que tem um trabalho calcado na percussão de estilos tradicionais, como a umbigada.

O movimento já ganhou diversos nomes, como Caipira Groove, Pós-Caipira e Rock n'roça. Mas o produtor Reinaldo Volpato prefere usar o termo Moda Nova.

- O antropólogo Hermano Vianna criou a denominação Pós-Caipira, mas acho inapropriado, já que a cultura caipira nunca deixou de existir. A expressão Moda Nova usa a palavra que designa a canção caipira e brinca com o nome Bossa Nova - explica Volpato.

Seja qual for a designação, o movimento tem aprovação de alguns dos principais nomes da música caipira tradicional. O compositor Renato Teixeira, por exemplo, participou do disco de Tuia e Dotô Jeca e gostou o arranjo do grupo para seu clássico Romaria. A violeira matogrossense Helena Meirelles apóia o trabalho do conterrâneo Jerry e Pena Branca é um só elogios para o trabalho dos grupos.

- Admiramos essa nova geração, tudo é válido para renovar a música caipira. Fico realizado de ver tanto menino tocando viola - exalta Pena Branca, que também tem show agendado no Rio, ao lado de Ricardo Teixeira, no dia 12, no Canecão.

Inaugurando a série hoje, o grupo Jerry Espíndola & Croa mostra a polca-rock, gênero que criou ao fundir a polca paraguaia a guitarras. A novidade foi aprovada por músicos como Zé Ramalho, que compôs uma música especialmente para o grupo gravar em seu único CD.

- A tendência aqui é as pessoas esquecerem os gêneros tradicionais. A renovação é importante até para que ritmos dessa região, como o chamamé e a guarânia, tenham continuidade - conta Jerry.


[04/NOV/2003]


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